TESTAMENTO DE SER (quando fui o que devia ter sido) - Marcos Carvalho




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  • TESTAMENTO DE SER

    (quando fui o que devia ter sido)

     

    Humano.

    Certamente fui um deles.

    Humano de ser.

    Humano de humanidade.

    Humanidade de qualidade.

    Uma vez, Humano que fui,

    Quando for, vou deixar vida.

    A vida que fui, na vida que fiz

    Não, não guardem de mim...

    Simples restos mortais,

    Mas, vivas lembranças...

    Das proezas deste corpo.

    Aliás,  ficarei muito bem,

    Se o pó de minhas cinzas...

    For arremessado com amor...

    Num grande rio Grande.

     

    De memórias, lembrem-se...

    Das autênticas "verdades"...

    Que, por sinal, foram tantas.

    Dos reais valores humanos...

    Que, ensinando em vida...

    Com a  vida, muito aprendi.

    Guardem em suas memórias...

    O que eu fui... O que eu fiz.

    Foi com muita dedicação,

    Cercado de amor e carinho.

    O sacerdote que em mim...

    Buscou na fé de seus fiéis...

    O propósito e a necessidade...

    De levá-los, com convicção...

    A acreditar na justiça divina.

    O professor que aprendeu...

    A acreditar em conceitos...

    Que seus alunos entenderam...

    E com muito amor e muita fé...

    Com confiança, praticaram.

     

    Dedico parte deste tesamento...

    À missão mais prolongada...

    De toda minha Existência.

    Tenham, sempre, em mente...

    O marido e pai voluntarioso.

    Foi com muitas tentativas...

    Ensaios e erros de percurso,

    Que fui trilhando o caminho...

    Da dedicação e boa convivência.

    Tentando acertar, até nos erros...

    Indiquei, com todo orgulho,

    O caminho da ética e moral.

    Não faltaram os "espinhos".

    Não faltaram os desvios.

    Mas, creio que cheguei...

    Ao sonhado porto seguro.

     

    Não ignorem, nunca, jamais,

    Minhas lutas e embates...

    Contra injustiças sociais...

    Que apregoava e defendia...

    Nos tempos mais obscuros...

    Da sociedade amordaçada...

    Num regime de excessão.

    Acreditava justas e cabíveis...

    Tais atitudes de enfrentamento,

    Certas minhas convicções...

    Que se faziam absolutas.

    As causas sociais prementes...

    Defendidas como valor...

    Da dignidade de ser humano...

    Nas injustiças praticadas.

    Atos que se faziam latentes...

    Em políticas vergonhosas.

     

    Não perdoem meus erros.

    Não me arrependo de nada...

    Em que tenha acreditado...

    Ou, que eu possa ter feito.

    Errei, sim, não uma única vez.

    Várias vezes, por convicção...

    Defendi causas mui nobres...

    Desdenhadas pelo poder...

    Que em nome da falácia,

    Ludibriavam e manipulavam...

    A soberania de um povo.

    Acreditei,  sim, de boa fé...

    Nos direitos dos homens...

    Apesar da justiça negociada.

    Se traído,  em meus princípios...

    Nao levo mágoa comigo.

    Se contestado, não me opus...

    Apesar de ter, sim, revidado.

    Afinal, cada um tem motivo...

    Para sua história contar.

    Deixo para trás, um rastro.

    Espero que seja indelével...

    Contra todo tipo de mal...

    Para que alguém continue...

    Acreditando que lutar valeu.

    Que viver por um certo ideal...

    Tem, também, seu lugar.

     

    Assim fui. Aqui vivi. Passei por aqui, de passagem.

    Alguns creem que passarei.

    Acredito, pelo que fui...

    Acredito, pelo que fiz...

    Acredito, pelo que sei...

    Pelo que acreditei...

    Continuarei, de algum jeito.

    Minha estadia por aqui...

    Que não  tenha sido em vão.

    Minha ida desta vida...

    Que não seja um alivio.

     

    Marcos Carvalho