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SAUDADE
Vicente Nolasco
Saudade das cachoeiras,
Saudade das laranjeiras,
Saudade dos animais.
Saudade dos meus amigos,
Dos novos e dos antigos
Dos avós e dos meus pais.
Saudade do campo aberto
Onde eu via, a descoberto,
Os largos canaviais.
Saudade da professora,
Aquela mansa pastora
Que abriu tantos currais.
Saudade de meus caminhos
Crivados, assim, de espinhos
Que deixei nas laterais.
Saudade de meus colegas
E também dos nossos pegas
Nas barras dos tribunais.
Saudade daquele dia
Em que, com medo, tremia
E transpus estes umbrais.
Saudade daquela hora
Em que, como esta agora,
Lhes falei de ações penais.
Saudade, muita saudade,
Saudade da faculdade,
Saudade de ter saudade.
Saudade das coisas boas,
Saudade nunca é demais.