I DOMINGO DE QUARESMA LUCAS 4,1-13 - Juan Diego Giraldo Aristizábal, PSS



  • I DOMINGO DE QUARESMA

    LUCAS 4,1-13

     

     

       No Pai Nosso rezamos “não nos deixes cair na tentação”. O Evangelho de hoje é uma resposta a esta súplica. Jesus o “Filho de Deus”, foi tentado, ou seja, convidado a contradizer o projeto de seu Pai. Mas, Ele venceu “a Escritura diz". (v. 4,8,12); “o diabo afastou-se de Jesus” (v.13). O que significa isto para nós que começamos este caminho da Quaresma?

     

       1. Tentação

    O “deserto” é o lugar da solidão, da confrontação pessoal, da ruptura, é caminho de liberdade. Não existe nada que possa alimentar, não há palavra. É o lugar onde o crente deve tomar consciência de que só tem a Deus, é a situação propícia para “provar” a confiança. Assim, se pode saber finalmente se o coração está orientado totalmente a Deus. A “fome” como situação limite representa a total ausência de segurança; também é o momento para saber se de verdade se confia na promessa de Deus. Quando todo horizonte parece desaparecer, o homem pode se desesperar e confiar em falsas seguranças (Cf. Ex 17,1-11). O “diabo” é aquele que separa (divide), que como “tentador” procura que o crente rompa a sua comunhão com Deus (Cf. Gn 3,1) e que seja prisioneiro do seu passado. Assim, a tentação é o convite a romper com Deus a nossa relação de filhos. Em muitas circunstâncias de nossa vida somos tentados e temos que decidir se agimos como “filhos amados de Deus” ou se agimos contrariamente ao seu mandamento de amor. Deus, que nos propõe sempre a vida, respeita a nossa liberdade.

     

       2. Sem Deus – Contra Deus – Como Deus

    Bem poderíamos explicar o que significam as três tentações na vida de Jesus (a de proclamar-se um Messias político, poderoso e violento que renuncia ao caminho da cruz, agindo contra a vontade do Pai). Mas, quero oferecer o que podem significar estas três tentações para nós. A) Viver sem Deus: “Manda que esta pedra se mude em pão!” (v.3). É a utopia de querer negar na nossa existência toda referência e relação com o Absoluto. O homem reduzido à “matéria”. É a pretensão também de algumas políticas de querer “tirar” Deus da existência humana. B) Viver contra Deus: “Se te prostrares diante de mim, em adoração, tudo isso será teu” (v.7). É o que conhecemos como “idolatria” (falsos “deuses”). Saciar o nosso coração “faminto” com realidades efêmeras e passageiras, que se tornam, às vezes, absolutas. Deus nos faz filhos, livres, dignos, amados. Os ídolos nos fazem mendigos, escravos, sujeitos a exploração. C) Viver como Deus: “Atira-te daqui abaixo!” (v.10). É colocar Deus ao serviço dos nossos “interesses”; fazer d’Ele um “shopping”. Pretender que seja Ele quem “faça a nossa vontade”. É brincar a sermos “deuses”. Simplesmente é não aceitar a nossa condição de criaturas (Cf. Gn 3,5).

     

       3. Vencedores nAquele que venceu

    Jesus venceu a tentação porque Ele conhece a sua identidade (Ele é o “Filho de Deus”). Conhece a vontade do Pai e a cumpre. Assim, sabendo que podemos “cair” na tentação, o Evangelho nos diz: Tu podes vencer com a força e a graça d’Aquele que venceu: Jesus Cristo! Aproximemo-nos sempre da Palavra de Deus a fim de receber a força para vivermos como filhos e não como escravos. “De fato, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10,13).

     

    “Consideras que o Cristo foi tentado e não consideras que ele venceu? Reconhece-te nele em sua tentação, reconhece-te nele em sua vitória. O Senhor poderia impedir o demônio de aproximar-se dele; mas, se não fosse tentado, não te daria o exemplo de como vencer na tentação.” (Santo Agostinho).

     

    Juan Diego Giraldo Aristizábal, PSS