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ESPERANÇA E FÉ
A fé remove montanhas. Montanhas, esses monstros encantados erguidos das entranhas da terra. Afugentam os fracos e desafiam os fortes. Quanto mais elevadas, mais agressivas, temerárias e perigosas. Lançam de suas alturas pedras que vão rolando em suas encostas até atingirem a superfície plana. “Inda há as mais agressivas que, às vezes em desesepero , cospem fogo e lançam lavas incandescentes.” Ameaçam tudo que estiver em seu caminho e em seu destino. Sua escalada é um convite para o fracasso e o perecimento, podendo chegar à morte. Quanto mais tentador o convite e a ansiedade de alcançar o seu topo, maior o desafio e o perigo. No afã ardente de conquistarem o objetivo, um lugar ao sol, muitos se lançam desesperadamente nessa aventura e acabam por embarcar em canoa furada. Esta, aos poucos, vai se afundando. Outros se precipitam e mal planejam a sua inconsequente escalada. Frustram seu objetivo. São levados ao desgosto, ao desgaste e à decadência. Costumam chegar à desgraça e à discórdia. A uma situação constrangedora, insustentável e de difícil solução. Prudência, coragem e esperança devem, então, se unir, como primeiras armas para o combate. A esperança se sobrepõe às duas outras. A cabeça dos monstros só será atingida se dela resultar a fé. Chave, portanto, da esperança, a fé é crença inabalável de que o desejo, aspiração incontida, será efetiva e realmente satisfeito. Mas essa crença precisa ser abastecida e incrementada com o poder da oração. Não há quem consiga erguer uma pedra gigantesca, rolada das montanhas, se faltar a alavanca, o guindaste, o elemento que a impulsione. A fé e o poder da oração convocam os anjos da guarda, os salva-vidas que evitam o naufrágio da canoa furada e impedem o curso das ações precipitadas.
Sebastião Rios Júnior
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Mano.
Adorei o enunciado/enunci/acão do seu texto. Encontrei nele integridade, magistral inteligência, raro valor moral.
Nada a desdizer ou revisar, lendo a sublime realidade celeste no con-texto da Vossa sutil palavra, que é pá lavrando fé, terra aterada alterada, quase estéril no mundo tecnológico atual.
Aí, nessa dissertação argumentativa, sim, vislumbro o áureo brilho de sua pessoa físico-espírito-espácio-temporal.
Noto a fruição personalíssima (per + sona + lidade) do conceito puro de religiosidade nada traumática ou ostensiva.
Somente posso elogiar a perfeição eficaz da sua toda azul escritura. Ela surge como água cristalina brotada na fonte fronte forte mente cristã.
A criatividade, ontem mencionada, reside na explanação correta e distinta desse louvor divinal em tom discursivo. Revela-se nidifica constrói-se no fulgor da imagem alusiva à crença em Deus sem demagogia ou falso conduto. Pertence à Arte sacra da dura letra - littera/ tura - concebida em complexa simplicidade. Subliminarmente, na obra existem resistem minha nossa volúpia verbal em consonância com o método, a técnica, a paixão, vivenciados a cada dia também pelo coautor leitor.
Parabéns, irmão.
Para que reescrever tanta dedicada beleza? Apresente-se mais com outros semelhantes pré-textos encantadores aos meus líricos olhos.
Sinceramente,
Maria da Graça Rios
